O Documento de Aparecida pode afirmar esquematicamente e sem pretensão de ser completo e exaustivo, que Maria é perfeita discípula: porque é a primeira discípula de Jesus, porque o acompanha em toda a obra da salvação e porque inspira outros discípulos.

Não é só cronologicamente, mas, sobretudo, “kairologicamente” (ou seja, do ponto de vista do “tempo da graça”, do kairós de Deus), Maria é a primeira discípula de Cristo. É a primeira historicamente e qualitativamente. Na ordem da criação e da graça. Os Bispos em Aparecida a tratam não somente como primeira discípula, pois de fato foi “o primeiro membro da comunidade dos fiéis de Cristo”, mas também como a discípula mais perfeita, imagem perfeita da discípula missionária. Em três momentos o Documento de Aparecida destaca o caráter trinitário do discipulado de Maria, apresentando-a como “a máxima realização da existência cristã como um viver trinitário de filhos no Filho, pois seu vínculo de amor profundo com a Santíssima Trindade a leva a ser a imagem esplêndida da conformação ao projeto trinitário que se cumpre em Cristo”.

Recorda-nos, assim, “que a beleza do ser humano está toda no vínculo do amor com a Trindade, e que a plenitude de nossa liberdade está na resposta positiva que lhe damos”. Ela é, desta forma, lugar de encontro e comunhão com a Trindade e com os irmãos: “Em Maria encontramo-nos com Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, e da mesma forma com os irmãos. A Sagrada Escritura é a primeira a testemunhar a vida de Maria como discípula de Jesus. Os exegetas destacam diferentes característica do seu discipulado.

O Documento de Aparecida fala, sobretudo, de sua fé (cf. Lc 1,45) e obediência à vontade de Deus (cf. Lc1, 38), assim como de “sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus (cf. Lc 2, 19-. 51). Apresenta-a como “mulher livre e forte”, na busca própria do peregrinar da fé. Ela brilha diante de nossos povos como “imagem acabada e fidelíssima do seguimento de Cristo”, como sua discípula e “seguidora mais radical”.

Afirmando o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo e missionário, o texto ressalta a relação exemplar de Maria com a Palavra de Deus, citando o belo texto de Deus caritas est (n. 41), de Bento XVI: “Em Maria, a Palavra de Deus se encontra de verdade em sua casa, de onde sai e entra com naturalidade. Ela fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se fez a sua palavra, e sua palavra nasce da Palavra de Deus. (…) Estando intimamente penetrada pela Palavra de Deus, Ela pode chegar a ser mãe da Palavra encarnada”. Maria é a interlocutora do Pai em seu projeto de enviar seu Verbo ao mundo para a salvação humana.

A vida de Maria foi totalmente voltada para Cristo. Tudo o que se fala sobre ela tem referência a Cristo. Ser uma perfeita discípula não foi algo acidental na vida de Maria, algo secundário, que podia se dar ou não se dar. Ser discípula corresponde ao núcleo essencial de sua vida e de sua missão, pois Deus ao pensar a encarnação de seu Filho, a pensou inseparavelmente unida ao sim e à pessoa de Maria.

Maria, “discípula por excelência entre discípulos” ajuda, por seu exemplo, intercessão e poder educativo, “a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega e de gratuidade que devem distinguir os discípulos de seu Filho”, nos mostra “o fruto bendito de seu ventre” e nos ensina “a responder como fez ela no mistério da anunciação e encarnação”, nos ensina “a sair de nós mesmos no caminho de sacrifício, de amor e serviço”.

Texto retirado do Livro: Maria, Discípula Missionária do Senhor de Pe. Alexandre Awi Mello