Experiência em Roraima: “Um coração sem fronteiras”

Este é um texto de agradecimento e perdão. Escrevo cada palavra de coração aberto e com a certeza de que a experiência em Roraima foi uma decisão pensada e refletida com muito cuidado (e carinho). Essas frases são a expressão singela do quanto gostaria que outros voluntários sentissem o que senti e vivessem o que vivi. Que possamos juntos e juntas ‘colocar os pés no barro’.

Sou colaboradora marista há 5 anos e atuei como voluntária, no meu período de férias em Boa Vista e Pacaraima. A crise humanitária dos refugiados, em especial do povo venezuelano, é urgente e estive disponível para apoiar e colaborar no que fosse necessário. Há alguns anos o voluntariado entrou na minha vida e descobri uma nova forma de ser cidadã no mundo. Não consigo mais estar indiferente às urgências sociais das realidades que estão próximas (ou distantes). Estive disponível para as demandas do CMDH (Centro de Migrações e Direitos Humanos), nos atendimentos diários, e ainda, atenta em ouvir e registrar as histórias de vida dos venezuelanos.

Sou comunicadora social e acredito no potencial transformador e inspirador dessas histórias. Quando colocamos essas pessoas como protagonistas das suas próprias vidas, sentimos a esperança de um mundo melhor, mais justo e humano florescer.

O que escrevi até agora teve o intuito de expressar o quão importante foi essa experiência de voluntariado em Roraima, pois além da Amazônia ser um lugar especial para mim, meu coração pulsa pelas causas dos migrantes. A possibilidade de conhecer histórias de vida, estreitar laços e aproveitar a facilidade de estar estudando o idioma espanhol há alguns meses, me deixou muito entusiasmada com essa oportunidade.

Nunca, em toda vida, entendi que fazer voluntariado era algo tão imediato e necessário, como agora. Atendendo aos apelos do Papa Francisco, me coloco como uma jovem em saída, trabalhando na construção de um mundo mais digno e me comprometendo com a defesa da dignidade humana.

Agradeço a oportunidade de viver esses dias em Boa Vista e Pacaraima. O esforço de manter a ternura em meio ao caos foi desafiador. Peço perdão por todas as vezes que falhei. Volto para Porto Alegre com a sensação que conheci um pouquinho das realidades dessa crise humanitária e com o compromisso de tornar visível ao mundo as histórias desses venezuelanos. A disponibilidade para ouvir, sentir e deixar-se surpreender é uma opção difícil. Mas é, também, um convite para uma vida com mais sentido. Uma vida que valha a pena. Sem fronteiras emocionais, físicas e geográficas.

Obrigada! Brenda Menine

Superando as fronteiras geográficas

A realidade que encontramos no extremo norte do Brasil, na cidade de Boa Vista, Roraima, sempre foi desafiante, nos estimulando a ir além de quaisquer fronteiras que conhecemos. O jeito de ser, de viver, de manifestar a fé, de constituir comunidades, nos leva a buscar novos caminhos, novas maneiras de inserção na “grande tapera da Igreja Amazônica”.

Nos últimos tempos, porém, um novo desafio se apresenta e nos chama a responder aos apelos que surgem: a imigração venezuelana. No ano de 2018, o Centro de Migrações e Direitos Humanos da Diocese, coordenado por Irmã Telma, atendeu, diretamente, cerca de 11.000 imigrantes.

São pessoas que chegam a Boa Vista doentes, famintas, cansadas, e sem perspectivas. Buscam acolhida e amparo. Desejam reaver as esperanças e sonhos que, muitas vezes, foram deixados no longo caminho percorrido. Nas suas malas e mochilas, trazem a necessidade de conseguir algo para enviar aos que ficaram em seu país. Filhos, mães, pais, irmãos, sobrinhos… todos dependendo das conquistas de quem deixou tudo para encontrar novas possibilidades.

2019 começou com momentos de tensão na fronteira, chegando a ameaças de um conflito armado. Como consequência desta forte tensão, manifestantes da etnia Pémon, presentes na fronteira venezuelana, entraram em confronto com militares do governo, gerando dezenas de feridos e, até o momento, 5 mortes confirmadas.

Diante da gravidade da situação, apesar da fronteira estar fechada desde o dia 21 de fevereiro, centenas de indígenas Pémon têm buscado abrigo entre os indígenas brasileiros, na Reserva São Marcos, que se encontra na região da fronteira.

Somos chamadas a ser presença profética em meio ao conflito e às demandas que surgem, denunciando as estruturas que geram violência e morte e testemunhando um amor generoso que vem do Senhor e nos leva a defender a vida, em seu sentido mais amplo.

Toda forma de violência precisa ser superada por diálogo e respeito, visto que as vítimas do confronto são os mais pobres, os indefesos. Nossa resposta é a busca de dignidade para quem está perdendo tudo o que tem, e nosso sustento é a oração, a solidariedade e a comunhão de tantas pessoas, do mundo inteiro, que se fazem próximas de nós.

Ir. Telma Lage – RMNSD

 

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